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Vênus

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Em Vênus dorme algo, algo anonimato, Uma vontade de desvendar, destruir o cadeado. A voz rouca sem soar entre olhares demorados, Um sentimento a esperar, louco desesperado. Como em algo tão longínquo Distante no tempo e espaço Um poder vasto e verossímil Que faz chorar sobre o passado. Um passado de duvida e medo De planos e segredos E de sonhos não sonhados. Tão solida é essa certeza Tão certa quanto à morte Tão bela quanto à beleza Tão adiada é essa sorte. Kayron Rafael

Vitrines

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Ao consultar meu deserto, estou cheio de ninguém Mesmo quando falo com alguém, sinto vazio meu fardo Eu farto, me isolo, acabo a me conversar ou conservar meu estado Calado falo asneira pra mim mesmo, este é meu enredo calamidado Mas no calçado, minha vitrine é alegria, alegoria de plástico Semblante alegre de manequim importado Pro meu povo importado com sua própria horta Conciso, sem êxito, sem volta, solto um grande sorriso de vida, de vida morta. Kayron Rafael

Feito Bicho

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Dizem que não sou mais humano, só um santo... A pecar. E que as lágrimas não podem enjaular minha alma e me acalmar. Que em um barco quebrado não se pode navegar, nem suportar o frio. E viver com a calma por um fio, vendo que a dignidade caiu sem se poder achar... Não sei por que julgar se até o mar dar calafrios e ainda assim... Quem irá julgar o mar? eu não sei... Eu não sei desse contrato de bicho que eu assinei E Essa fera quem vai domar? E essa divida quem é que vai pagar? Eu não sei. (Kayron Rafael)