Lagrimas da Avareza
Meus olhos brilham ao por do sol, meu martírio, minha vida é esperar que minha infância um dia venha. Meu passado e presente se resumem a pessoas e seus desejos. Minha face bela esconde um monstro, sim um monstro que tem o poder de fazer sonhar acordado e trazer pesadelos no fim do mês.
Todos os planos, expectativas e sentimentos oscilaram até desaparecerem com cada palavra dita naquela viajem sem volta e sem ninguém. Sempre quis ver aquela torre, aquele relógio gigantesco que agora os seus ponteiros no lento passo do compasso dos segundos passados expandiam a única coisa que eu tinha no momento, medo, medo desse novo mundo, medo de nunca mais voltar, medo de ficar sempre só.
Tudo que eu temia concretizou-se com uma força maior do que eu imaginava. Passei, vaguei, senti na pele aflição da Torre de Babel, a fome que devora a África e a maldade do homem que engole o mundo inteiro.
No fim a sobrevivência fez-me adaptar a minha escolha maldita. Não estou melhor, mas já não sinto medo, não estou feliz, mas também não estou triste, na vida aprendi que a tristeza e a felicidade não passam apenas de um ponto de vista e assim sinto-me melhor sendo cega.
Por tudo que passei poderia ser imperatriz, mas nesse mundo injusto me coube ser meretriz sem poder e aflita. Pode pensar o que quiser de mim, eu apenas cedi, meu corpo agora pertence a Londres ou a você, se puder pagar. (Kayron Rafael)

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